Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Quinta-feira, 26 de Outubro de 2006
A zanga

Carta de desamor de Ana Maria Cordeiro


Cara Joana


Pensei muito em abordar ou não este assunto consigo até que me decidi pelo “sim”. Não dá mais para fazer de conta que não fiquei zangada. Claro que tem o direito de fazer da sua vida o que muito bem entender mas, nesse caso, faça o favor de não aborrecer os outros. Então a Joana tem o descaramento de me pedir ajuda, opinião, leva-me a visitar a casa nova, atreve-se a dizer-me até que não tem consigo a chave, que está a fazer os contratos de água e luz, pede-me ajuda para saber números de telefone de empresas de mudança e por aí fora e depois diz-me que, afinal a casa é para o seu filho? Mas pensa que eu sou quem? Realmente não tenho rigorosamente nada a ver com a sua vida e dela fará o favor de fazer o que muito bem entender, mas ninguém gosta de se sentir enganado. Claro que vai mudar para onde queira, até pode ser para debaixo da ponte se aí se sentir muito feliz mas, por favor, não engane as pessoas que a estimam, nem as faça perder o seu tempo como foi o meu caso. Mal comparado isto é como se fosse uma história do género: “Ai que bom que arranjei um namorado lindo, com todos os atributos com que nós, as mulheres, sonhamos ama-me profundamente, até é milionário e vive num palácio!” Vai daí a parva da amiga acredita em tudo, apoia-a em tudo quanto é necessário, trata de escolher o vestido de noiva, ajuda a encomendar a boda, faz lista de convidados e tudo o mais; a data do casamento está marcada e na véspera a Joana diz-lhe que afinal o noivo não é bonito, não a ama, não é milionário e até vive num bairro de lata, mas está feliz na mesma. Ok! Pronto! Mas terá de convir que isto não se faz!


Afinal a casa é para o seu filho, a Joana fica com a dele (óptimo, maravilha) mas podia ter dito.


Para mim, a grande aprendizagem é que, realmente, não tenho nada a ver com a vida de ninguém e que a amizade é um bem muito precioso que aguenta tudo e ultrapassa todas as dificuldades e provas. Não seria no entanto necessário passar por estas maçadas todas para saber isto. Poderia ter percebido mais cedo, sem ter de fazer listas estúpidas de convidados e cardápios de boda para gente que não tem sequer uma refeição.


Desejo-lhe as maiores felicidades na casa que não é nova. Espero que o Pedro esteja feliz na “sua casa” nova e gostaria que, por favor: nos tempos mais próximos não tentasse falar comigo. Isto passa rápido porque aos amigos tudo se perdoa ou não se é amigo. Peço-lhe que deixe passar um tempinho para amainar o meu ânimo e a minha patetice. Peço-lhe também que não haja uma próxima vez para enganar amigos. Omitir também é mentir e o engano foi para si, não para mim nem para outras pessoas a quem tenha por acaso ocultado a verdade.


Se o caso era não ter dinheiro para a renda, dizia, mas chegou ao cúmulo de permitir que eu me oferecesse para emprestar dinheiro para a mudança e que andasse a ver pormenores de móveis! Com franqueza: fiquemos mesmo por aqui.


Até qualquer dia e felicidades.


Por favor não disponha



publicado por Perplexo às 17:01
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