Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Cela

(...)



De altruístas está o Tártaro cheio!


 


Os olhos do encarcerado eram tanto de espanto como de pavor. O guarda, embrenhado na mitologia grega, e apercebendo-se que o outro a desconhecia, transpôs os impropérios para um discurso mais comezinho.


 


Ai campa precoce para uma humanidade infantil. Atolados num covil de térmites de sobrenome “humanos”, multiplicando-nos sobre-biblicamente, usurpando a vida em nome de uma mal interpretada entidade divina. Entronizámos o antropocentrismo, vulgarizámos o narcisismo civilizacional e ignorámos toda a espécie que não a nossa. São as diárias ignomínias que enchem os anais da história da nossa civilização, que aspiram auto-regular determinismos de extinção, que nos firmam como os mais eficazes parasitas planetários...


 


De generalista, o semblante adquiriu o individualismo sofrido; o contexto resvalou, aos poucos, para as frustrações, que amarguraram a voz grave; O olhar penetrante tiltou e tumidificou, antecipando lágrimas não derramadas, e o monólogo prosseguiu...


 


Malthus teve uma percepção muito modesta do malogro civilizacional.


 


Ergueu os braços, evocando o papel de profeta científico, e cegou a cela de esperança.


 


O modelo social é multidimensional...Multidimensional!


 


Era prodigioso a forma como ele enfatizava cada palavra. A repetição não era mero assentimento nas palavras proferidas. Era mais do que isso. Tratava-se de uma encenação de narcisismo. Não é que ele precisasse desta exuberância para pesar cada palavra e medi-la na credibilidade cravada nos ouvidos de quem o escutava, mas era mais forte que ele.


O excêntrico bebericava ideais na fonte dos grandes pensadores clássicos, gargarejava estes entre as suas próprias assunções, e, finalmente, cuspia as calúnias a céu aberto. Passou a abordar um socialismo, adulterado pela sua descrença no colectivismo, já que, segundo ele, o indivíduo, enquanto unidade, era desprovido de valores e, como tal, não poderia projectar o que não tinha para o grupo. Esta era uma contradição difícil de gerir, mas que encontrava excepção entre os iluminados; seres capazes de gerir com isenção, e de forma progressiva, uma sociedade alienatória. Contudo, estes exerceriam esta faculdade, não de forma directa, mas sim como árbitros da organização Estado vigente. Em nenhum momento, afirmou pertencer a este nicho intelectual, mas subentendeu o seu papel como estando ligado à elite que descrevia...



(...)



publicado por Perplexo às 15:38
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