Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006
o príncipe da necrofilia-Nuno Ribeiro

Como todas as histórias de encantar, esta também começa assim: era uma vez.


E era uma vez um formoso príncipe daqueles que usam make-up e tights, farta melena, sapatos com saltos styletto e o demais.


Como já se antecipou, este príncipe gostava muito de certas zonas da cidade. Mas onde ele se sentia verdadeiramente em casa era mesmo no Príncipe Real. Lá ele portava-se como um verdadeiro gayato numa loja de doces e tentações.


A oferta abundava, cada sorriso uma promessa, cada menear de ancas, uma proposta. Enfim uma farta disponibilidade de viandas dadas à viadagem…


O príncipe era muito amigo de uma drag queen chamada Rambóia. Coitadinha, tinha sido o nome que lhe tinha calhado na rifa.


Na verdade, nas vésperas da operação para implantação dos seios, a Rambóia tinha posto um conjunto de nomes num chapéu, à moda das rifas. Os nomes tinham sido escritos por todos os amigos e amigas dela.


E ao tirar um deles, saiu-lhe Rambóia, que tinha sido lá colocado maldosamente pela Insidiosa, que nesta história faz de bruxa má quando ela queria era ser a bruxa boa.


Também, com tal nome. Ainda se fosse, sei lá, Barbi Brochette ou assim…Adiante, sem meneios de ancas, sff!


Um dia quando o príncipe procurava mais elementos para os seus anais da história da viadagem deparou-se com uma formosa dama. Pelo menos aparentemente seria uma dama.


Esta tinha o cabelo negro azeviche, resultado de uma má coloração com tinta preta asa de corvo, um baton vermelho estridente, como alguns solos do Chet Baker, e a pele muito branca. Ah, vestia um vestido comprido, azul e amarelo, com a parte de cima branca.


Mas o que mais surpreendia era a alvura da pele. Tão branca como a alvura da farinha moída pelo moleiro, coisa que já não há. Ai estes lugares comuns!


Porém este mistério, como todos mistérios da vida, tinha uma explicação bem prosaica: a dama dava na coca. Daí a sua alvura de pele. Seria com certeza, resquícios de pó.



 

-Como te chamas?


- Olhe lá, você conhece-me d’algum lado? Tamos nas mêmas fêstas?


 

O príncipe ficou extasiado com ela e como sucede nos musicais, começou a cantar espontaneamente uma canção com letra e música completas. No caso, “It’s raining men, alelulia”. 


Mas o príncipe não desiste e torna a perguntar o nome aquele espécime tão apetecível. E ela responde: Branca de Neve.


 

-Giro


-E tenho uma irmã chamada Espiga.


-Altamente!


 

O príncipe, movido pela cusquíce inerente à razão humana, não resistiu a perguntar mais à Branquinha sobre a vida dela.


E ela disse que vivia num apê super pindérico lá para a Buraca, com sete gajos, porcalhões até dizer chega, que nunca tomavam banho mas ao menos eram bons na cama.


 

-Uí ca bom, sete porcalhões a cheirar a  bedún,  disse, em verdadeiro êxtase, o príncipe trabeca.


 

-A cheirar a bedun e sempre prontos a ir-me à Buraca, acrescentou a Branca de Neve.


 

-Sabes, filha, é por essas e por outras c’adoro os sebúrbios!


 

Naturalmente que por esta altura já o formoso príncipe salivava, à boa maneira do cão do Pavlov. Mas antes de irem à Buraca, meteram-se no 106, onde se perderam às apalpadelas, ao som de “ Dancing Queen”, O que seria do mundo gay sem os Abba?!


E lá se meteram ao caminho, percorrendo o IC 19. A meio, pararam numa área de serviço, que tinha acabado de ser assaltada.


 Por coincidência estava lá a Mizé, que se lamentava de lhe terem levado o guito todo do seu último filme porno, de seu nome “o Vito assobiando no alto da gruta”.


Após um rápido consolo, eis que a Branquinha exclamou, já se vê a Buraca!


Rapidamente, chegaram ao apê.


      


publicado por Perplexo às 21:56
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