Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
"Sr. Ventura" de Miguel Torga

Este livro é uma pequena história que tipifica o modo de ser do português, andarilho e saudosista, com os seus sonhos e desilusões, aventuras e desapontamentos. Figura dos meados do século passado, o personagem é , todavia, actual.


      Numa leitura mais abrangente, retrata o português de todos os tempos , o povo e a Nação. A História de Portugal está ali de uma maneira simples, mas na sua totalidade, e na constância que  molda a nossa idiossincrasia, não obstante as sinuosidades cirunstânciais de séculos e épocas.


O Sr. Ventura teve berço rural , brincou aos castelos, virou costas aos horizontes espartilhantes de regedores e padres acomodados , deitou-se ao mundo, abraçou a aventura andarilhante com laivos de iberismo quixotesco, e, qual filho pródigo, regressou , não espampanante de teres e haveres, mas cedendo ao canto da sereia do torrão natal, para, enfim, matar saudades e reerguer o lar e a vida. Saltitando entre amores e desamores, gerou um filho;  conluiando-se com toda a casta de companheiros, ganhando fortunas e desbaratando-as , miscenizando-se sem dar mão do seu temperamento de antes quebrar que torcer, as vicissitudes da  vida devolveram-no ao rectângulo de onde partiu. Seria o filho, estrangeiro em terra paterna, a reconstruir fantasias outras e tentar,  por sua vez, dar a volta à sorte madrasta.


É também assim este Portugal: de parto difícil, sacudiu  os entraves ao crescimento, estabilizou até se aperceber de que já não cabia em tão pequeno espaço o seu tão alto destino. Zarpou à aventura épica de calcorrear novos e desconhecidos mundos, por lá andou numa diáspora persistente, e, esgotados os adamastores , regressou com honra, alguma glória e parcos ganhos. E os filhos que deixou também eles haviam de vir em busca da mesma sorte por que partiu. Agora, estamos todos, nesta “nesga de terra debruada por mar”, lado a lado a construir o sonho da realização.


Trata-se, é certo, de um livro “menor” da extraordinária obra literária de Torga. Escrito em idade viçosa, o autor, mais tarde, ponderou enjeitá-lo, acabando sensatamente por só o podar e enxertar.




Francisco Xavier C. Lopes




*




publicado por Perplexo às 09:47
link do post | comentar | favorito
|

pesquisar
 
Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

Lançamento de livro de al...

13º Curso de Escrita Cria...

"Um livro pouco Important...

Décimo segundo curso de E...

"Antes de começar", e Alm...

Carta de desamor, de Nuno...

Carta de desamor, de Ana ...

Carta de desamor, de S. M...

"A Saga de um Pensador", ...

Carta de desamor, de Manu...

arquivos

Abril 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds