Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
"História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar", de Luís Sepúlveda

Foi o instinto que me levou a uma história tão fascinante, onde os felinos caseiros chegam a quebrar o seu “tabu” para miar a língua dos humanos e assumir qualquer tipo de risco para estabelecer a ponte de contacto com os ditos racionais, com o intuito de defender um código de honra, a palavra dada, o compromisso.


O livro, que conta uma história de animais falantes e cooperantes, chegou magicamente às minhas mãos através da simples “dica” duma funcionária da livraria onde os meus passos sabiamente me conduziram. Perguntei-lhe, um tanto encabulada pela responsabilidade de ter em casa uma biblioteca com mais de 900 livros, onde os romances de ficção se destacam, se me aconselhava algum pequeno livro de ficção, de rápida leitura, para servir de base a um trabalho a realizar num curto espaço de tempo. A senhora sorriu, fez um pequeno gesto para que eu a seguisse e dirigiu-se à estante onde residiam os livros do conhecido escritor Luís Sepúlveda.


- Qualquer um deste autor é interessante e lê-se rapidamente. Pode levar este, a “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”. É agradável e contém mensagem!


Agradeci, folheei o livro com o espírito santo de uma orelha a lembrar-me do stock que tinha em casa, e fiquei uns minutos esperando na indecisão. Na outra orelha, onde o pai da intuição falou mais alto pelo desejo de engordar um pouco mais a minha já pesada biblioteca, agitou-se a vontade de o comprar e devorar de imediato.


Foram 121 páginas de agradável leitura. Como tinha referido a empregada da livraria, o livro tem MENSAGEM. Encontrei muita informação do saber ser e estar em comunidade com códigos de partilha, honra e lealdade, o que me levou a levantar a questão que há muito me coloco sobre a irracionalidade dos animais.


Desde o levantar da questão ambiental relacionada com a poluição dos mares, cujas consequências são incalculáveis, até ao relato da consciencialização de quem vê, com olhos de bom ver para não generalizar atitudes - lembro-me quando a gaivota Kengah, ao amaldiçoar os humanos pela mortífera maré negra que a ia matar, lembrou que havia embarcações de protestos, decoradas com as cores do arco-íris, que, sem grandes meios, tentavam aproximar-se para impedir as catástrofes irreparáveis - o autor levou-me a sentir que viajava num mundo onde as diferenças dos seres são aceites naturalmente, onde as dificuldades são superadas com a partilha de conhecimentos, onde a união faz a força, onde “todos por um e um por todos”, onde uma promessa de honra contraída por um elemento do grupo é aceite, sem restrições, pelos demais elementos e onde existe a consciência de que o saber leva o seu tempo a aprender.


A Ditosa, filha da gaivota Kengah e nascida do ovo chocado pelo gato preto Zorbas, que queria ser gato porque só conhecia o mundo destes felinos, não podia fugir à sua natureza e ao seu destino. Aprendeu a voar para se poder juntar às suas iguais na grande convenção das gaivotas dos mares, para ser feliz e amar ainda mais aqueles que a ajudaram na adversidade.


Esta história leva-nos a reflectir sobre o muito que os humanos ainda têm de aprender sobre as suas diferenças de cor, religião, culturas e pensamentos e as formas que têm de encontrar para as apreciar, respeitar e amar porque o jogo da vida, sem diversidade, não seria tão empolgante nem atractivo.




Maria do Rosário Vasco




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publicado por Perplexo às 23:49
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