Forum dos alunos do Curso de Escrita Criativa do El Corte Inglés
Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Crónica do jantar de confraternização




Infelizmente não me foi possível estar no jantar da passada Sexta Feira realizado no Restaurante do El Corte Inglês. Contudo, tive a sorte de encontrar por mero acaso três dos participantes do referido convívio no famigerado "Hot Clube" de Lisboa, onde me encontrava na noite desse dia.Mário Laginha actuava nessa data e um autógrafo dele tem mais valor no mercado negro do que uma foto ao lado do José Couto Nogueira. Não acredito na totalidade do que me relataram, no entanto, por ser a única fonte que possuo, e na ausência de qualquer outra descrição aqui publicada, partilho com vocês esta visão dos acontecimentos.


O jantar começou fora de horas conforme o previsto e a conversa decorreu
amena durante o início da refeição. Formaram-se pequenos grupos trocando impressões entre si, até que a dada altura houve um tópico que despontou como denominador comum. Foi constatado pela generalidade dos convivas que apesar do número total de inscritos nos cursos rondar as quatrocentas pessoas, este blog é essencialmente povoado por textos de quatro ou cinco elementos. Nomes como Gaivota, Zé da Xã ou Miriam assolaram à cabeça de todos. O facto de nenhum deles se encontrar presente leva-me a concluir que estariam a escrever qualquer coisa para o blog, pois também não os encontrei no Hot Clube. Ainda assim, restam trezentas e cinquenta almas cujo rasto se perdeu para sempre e foi a essas que todos os presentes lançaram o repto de enriquecer este espaço com os seus textos. Parece que o desafio surtiu efeito, pois esta crónica surge como consequência directa dessa provocação. Por que esperam? Não se deixem intimidar pelo débito da Miriam, ou pelos contos da Gaivota. Provem que conhecem mais vocábulos que o Zé da Xã e publiquem os vossos ensaios neste espaço.

Já o repasto ia longo quando de súbito alguém denunciou a presença de dois alunos do "curso de poesia" na sala. Gelaram-se os bolos de chocolate nos pratos. O delator demonstrou a sua indignação por termos de recorrer a este método para "compor a mesa" e sugeriu que em futuras ocasiões se optasse por convidar alunos do curso de saladas ou mesmo do curso de vinhos como forma de colmatar as ausências. Pela minha parte propunha antes o recurso à GNR ou a outra qualquer força da lei para obrigar o Zé da Xã ou a Miriam a comparecer no evento, criando assim uma oportunidade para os outros escreverem no blog. Visivelmente incomodado pelas afirmações do "cavaleiro da prosa", um dos alunos visado entregou a Susana Santos um opúsculo com poemas da sua autoria. Susana, erguendo-se em defesa do referido pupilo, declamou bem alto as estrofes impressas, com uma projecção de voz que a todos surpreendeu. Habituado que estou a ouvi-la no sistema de som do Corte Inglés anunciando mais um curso gratuito, lamentei não ter marcado presença no convívio. O Mário nem tocou nada de especial, não me assinou o CD e eu no fundo nem gosto de Jazz.

José Couto Nogueira por seu turno, interrogado sobre o seu próximo livro, levantou uma ponta do véu. Consta que desta vez, o nosso professor tem na gaveta um romance histórico baseado na vida do Almirante Pinheiro de Azevedo. Esperamos ansiosamente por ver mais esta obra nos escaparates.

Falou também de novas ideias para o ano que se aproxima. Couto Nogueira revelou em primeira-mão a possibilidade de efectuar sessões únicas com escritores convidados. O objectivo seria o de reunir autores e público em torno de uma obra, e conversar sobre o livro de forma informal. Foi pena não estar presente, pois iria sugerir outra variante para o tema. Na minha óptica deveria convidar-se um autor e em conjunto com os assistentes falar-se-ia sobre a obra de outrem. O visado apareceria então numa sessão posterior para discutir também obra alheia, não sem primeiro visionar a filmagem do encontro anterior. O Corte Inglês tem um armeiro no Piso 3 e um parque espaçoso nas traseiras para desagravos.
   

Já quase no final, um aluno cujo nome não me foi revelado, ameaçou ler o trecho dum livro que todos deduziram ser da sua autoria. Perante o olhar perplexo dos presentes, garantiu que a sua leitura não iria ultrapassar as dez linhas. Todos suspiraram de alívio ao perceber que a folha A4 que segurava na mão, se encontrava impressa em "portrait". Após a sua curta prelecção, gerou-se alguma polémica sobre uma das frases proferidas. De facto, a afirmação "o capim chocalhava" não recolheu o consenso de todos. Uma senhora presente garantiu que esse fenómeno foi cientificamente observado por ela na região do Alentejo. Consta que ruboresceu enquanto falava. Pela minha parte posso certificar-vos que o capim não chocalha, mas contaram-me que existe em Amesterdão uma erva que toca xilofone. Também me disseram que a EasyJet tem voos promocionais para a Holanda.

Se forem lá, não se olvidem, escrevam!


Pedro Pereira

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publicado por Perplexo às 19:18
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